quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Assassinato de uma árvore

Cortaram, mataram a grande árvore que eu amava. Ela e à figueira que ia começando a abraça-la... Ela não estava sob minha jurisdição, mas minha esposinha podia ter pedido para que a poupassem... Mas não. Ela tinha medo. Somos pequenos quando aperta o medo em nosso peito, dizia o Taiguara em um de seus poemas.
Minha filha disse que a árvore estava oca, como que querendo justificar seu corte... Mas há árvores que são ocas pela sua própria natureza. E há pessoas também...
Chorei. Lembrei-me de Bonny Portmore, ouvi marchas fúnebres, comemorei antecipadamente o fim da raça humana... Quando então as árvores só serão mortas pelos raios, pelas erupções, pelos tornados e pelos seus semelhantes...
No dia seguinte, de manhã cedo, ouvi dois passarinhos olhando para o buraco que a ausencia da árvore deixou e emitindo um som estranho. Parecia o que? Uma pergunta? Onde está nosso ninho? Onde está nossa amiga, que nos abrigava? Que nos alimentava? Que tanto fez por nós?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Texto de outro Simões...

Saiu na BBC:

O desafio de ir e vir

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Rogério Simões | 2009-12-30, 11:23

airport.jpgNão é à toa que a rede extremista Al-Qaeda é obcecada pela ideia de derrubar aviões civis ou usá-los como armas contra alvos no Ocidente. Se os bem-sucedidos atentados de 11 de setembro de 2001 deixaram milhares de mortos, a operação de dias atrás envolvendo um jovem nigeriano mostrou que, mesmo frustrados, tais ataques conseguem abalar o inimigo. A fiscalização em aeroportos já aumentou, as falhas no sistema de vigilância americano foram expostas, irritando o presidente Barack Obama, e muitos passageiros voltaram a sentir um medo adicional de embarcar em um voo internacional. Para a Al-Qaeda, atentados contra voos comerciais parecem ser uma ação de retorno certo: quando funciona, mata centenas ou milhares e espalha o medo. Quando fracassa, ainda assim aterroriza futuros passageiros e impõe custos adicionais nos sistemas de vigilância.

Os custos para a sociedade de tais ousados planos terroristas não seriam tão altos se o embarque em um avião para cruzar fronteiras ou continentes não tivesse se tornado uma atividade tão disseminada pelo mundo, considerada quase uma necessidade básica em tempos de globalização. Tanto os últimos anos do milênio passado como os primeiros deste foram marcados pelo facilitado acesso a viagens de avião para a população de classe média ou mesmo de baixa renda. A proliferação de companhias aéreas de baixo custo e a ampliação do crédito, fenômenos permitidos pela globalização, reduziram distâncias e fizeram das viagens aéreas um bem sem o qual muitos não conseguem mais viver.

Na verdade, não é apenas a Al-Qaeda que provoca dor de cabeça na indústria do transporte de pessoas. As fortes nevascas que têm atingido a Europa e a América do Norte causaram enormes transtornos a milhares de passageiros que simplesmente "tinham" de viajar. A necessidade de visitar parentes ou amigos em outro país, de cruzar o canal da Mancha após uma semana de trabalho ou simplesmente de aproveitar merecidas férias do outro lado do mundo leva milhões de pessoas diariamente a estradas, aeroportos e estações de trem. Quando o mau tempo ou o fanatismo político-religioso ameaçam esse deslocamento, o cidadão globalizado se vê perdido, sem opções, sem saída. Acostumado a mudar de continente em poucas horas, o que para nossos antecipados levaria meses, os passageiros de hoje em dia tem muita dificuldade em lidar com a espera, as filas, a incerteza do embarque, as noites no chão do aeroporto e outros inconvenientes que têm se tornado comuns.

Em um belo artigo dias atrás, no jornal The Guardian, o jornalista Simon Jenkins expôs com todas as letras um fato difícil de contestar: o problema não está nos inconvenientes, mas no número de pessoas que se consideram no direito de ir para e vir de lugares distantes. "De todas as atividades que trazem à tona o egoísmo na humanidade, nada se compara à de viajar", escreveu Jenkins. Usando o termo "hipermobilidade" para descrever o estado a que a humanidade chegou, Jenkins sugere: "Minha solução para o caos nas viagens durante o inverno? Não viaje. Fique em casa. Faça uma fogueira. Viva e faça compras onde você possa ir a pé. Relacione-se com os vizinhos. Visite parentes que vivem longe em outra época do ano." Poucos parecem ter seguido tais conselhos neste fim de ano.

Viajar para longe, algo que era difícil, caro e raro para gerações passadas, tornou-se para muitos milhões uma necessidade ou um costume impossível de abandonar. A Al-Qaeda sabe disso e provavelmente continuará a lançar homens-bombas numa tentativa de atrapalhar esse aspecto da vida ocidental. A natureza, mortalmente danificada pela emissão de CO2 de aviões e automóveis, seguirá despejando nevascas e tempestades que desafiam a resistência da moderna tecnologia. E, provavelmente, nós, insistentemente, continuaremos embarcando para destinos distantes, à espera de novos, maiores desafios desse suposto direito de ir e vir, para onde e quando quisermos. Feliz 2010 a todos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Ao meu cunhado mais velho

Não posso falar pessoalmente. Acho que não...
Mas... Porque dizes "que divertimento!" quando me vê no trabalho braçal, limpando a calha, carregando lajotas?
Imagino, sabes o que? Que és preconceituoso. Como demonstrastes ser quando certa vez, quando víamos TV juntos, ao passar uma cena de um grupo de negros cantando e dançando dissestes: - "Esses negros só sabem fazer isso!"
Pois é, meu cunhado! Eu briguei com minha filha quando a vi contar uma piada com conotação racista. Eu tenho em mim que, como Einstein disse: "É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito...". Pois aí está. Tua filha casada com quem nem imaginavas há 18 anos... E hoje, tú demonstrando o velho preconceito dos portugueses contra o trabalho braçal, ao me ver trabalhando no quintal ("Deus me livre", dissestes, quando te convidei a me ajudar a trabalhar no quintal...).Pois saibas, meu querido, que não vejo no trabalho braçal nada que me torne menos digno. Nada desonroso. Vejo como algo saudável. Algo que me poupa o dinheiro da academia e me dá saúde.
Para mim, no fim, és uma catástrofe ecológica. Um paulistano bocó, metido a fino, que só sabe comerciar e nada fazer além de ver TV, deitado no teu berço explêndido. Ladrão de enceradeira. Incapaz de criar.
Desculpe meu desabafo.
É que "preciso falar".
Devias ver o vídeo que vi, do português preconceituoso, atropelado e atendido pelo médico negro. Ou pelo trabalhador braçal...
Dedicado a Avelino Rocha Neto...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Esqueci!

Caramba! Estava escovando os dentes e lembrei-me da postar algo aqui! Precisava falar!

Mas esqueci... É assim!
minha esposinha me pediu pra buscar meu filho de 18 anos na escola... E dançou a idéia.

O que seria?

Hummmmmmmm!
Penso, penso, penso e nada...

DROOOOOOOGA! Eu queria me lembrar!

Me esqueci porque alguma coisa me distraiu! Me destruiu! Droga!

Não é o "alemão malvado", não! Devem ter sido as cervejinhas que tomei... Pode???


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

jaguadarte

jabberwocky2

o jaguadarte é um poema nonsense de lewis carrol, que aparece no livro alice através do espelho, que é um dos meus favoritos da vida. o título original é jabberwocky (que também é o título de um filme do monty python, também em homenagem ao poema).

o poema é um dos grandes testes para qualquer tradutor, assim como guimarães rosa e james joyce, lewis carrol inventou quase todas as palavras do poema, que é considerado o maior poema nonsense da língua inglesa (ui!). ainda bem que a tradução para o português é doaugusto de campos, senão, vai saber o que o monstro ia virar? sim, porque o jaguadarte é um monstro, uma criatura terrível, com olho de fogo, um horror!

mas porque um blog sobre coisas de criança tem um nome de monstro? ah, porque monstro é legal, ora bolas! se fosse tudo muito fofinho a gente morria de diabetes. vamos ao poema:

jaguadarte

era briluz.
as lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
estavam mimsicais as pintalouvas,
e os momirratos davam grilvos.

“foge do jaguadarte, o que não morre!
garra que agarra, bocarra que urra!
foge da ave fefel, meu filho, e corre
do frumioso babassura!”

ele arrancou sua espada vorpal
e foi atras do inimigo do homundo.
na árvore tamtam ele afinal
parou, um dia, sonilundo.

e enquanto estava em sussustada sesta,
chegou o jaguadarte, olho de fogo,
sorrelfiflando atraves da floresta,
e borbulia um riso louco!

um dois! um, dois! sua espada mavorta
vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
cabeça fere, corta e, fera morta,
ei-lo que volta galunfante.

“pois entao tu mataste o jaguadarte!
vem aos meus braços, homenino meu!
oh dia fremular! bravooh! bravarte!”
ele se ria jubileu.

era briluz.
as lesmolisas touvas roldavam e relviam nos gramilvos.
estavam mimsicais as pintalouvas,
e os momirratos davam grilvos.

- tradução de jabberwocky de lewis carroll por augusto de campos

(de http://minasdeouro.glamurama.uol.com.br/2009/04/28/jaguadarte/)

Um monstro curioso

Jabberwocky

Lewis Carrol

‘Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

“Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!”

He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought—
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.

And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!

One, two! One, two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.

“And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!”
He chortled in his joy.

‘Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe:
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.

A Wikipedia em inglês tem um glossário.

Abaixo uma incrível versão de Augusto de Campos:

Jaguardarte

Augusto de Campos

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

“Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!”

Êle arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

“Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!”
Êle se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.


Achei isto em um blog em

http://talqualmente.wordpress.com/2008/02/03/jabberwocky/
Adaptei para o meu gosto. Parabéns, Paula Góes!

Fora dos padrões.

Quantos padrões estranhos eu presenciei? Fora do mundo onde todos dormem nas rotinas...

Papibaquígrafos são coisas até comuns no mundo inusitado de Hieronymos Bosch e de Maurits Cornelis (M. C.) Escher...

Eu caminhava quilometros pelos cais, pelas ruas, pelas avenidas, pelas obras do sétimo canal de drenagem em Santos... Via o Fantasma da Liberdade... Buñuel, Ingmar Bergman e outros doidos... Hoje ainda me percebo diferente. Ah! Solidão cósmica que me impede de fazer os que dormem acordarem...



Situações estranhas estimulam o cérebro, mostra estudo


Além de oscilações entre momentos ruins e surpresas agradáveis, oportunidades e ofensas, a vida também apresenta contradições. A nota de três dólares; a freira com barba; o verso, retirado do poema de Lewis Carroll, que "roldavam e relviam nos gramilvos".
do New York Times

Resumindo, uma experiência que viola toda lógica e expectativa. O filósofo Soren Kierkegaard escreveu que tais anormalidades produziam uma profunda "sensação de estranheza", e ele não foi o único a levar essas anormalidades a sério. Freud, em um ensaio chamado "O Estranho", demonstrou a sensação do medo de morte, de castração ou de "algo que deveria ter ficado escondido, mas que veio à tona"

Na melhor das hipóteses, o sentimento é confuso. Na pior, é assustador.

Um estudo atual sugere que, contraditoriamente, esta mesma sensação pode levar o cérebro a perceber padrões não perceptíveis em outra ocasião --nas equações matemáticas, na linguagem, no mundo de forma geral.

"Queremos tanto nos livrar daquele sentimento que procuramos por significado e coerência em todo lugar", disse Travis Proulx, aluno de pós-doutorado da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e principal autor do artigo, publicado na atual edição do periódico Psychological Science. "Conduzimos o sentimento para outro projeto, e isso parece melhorar alguns tipos de aprendizado".

Há muito tempo, os pesquisadores sabem que as pessoas se prendem ainda mais a suas crenças pessoais quando o sentimento está ameaçado. Ao lembrarem que a morte é inevitável, tornam-se mais patrióticas, mais religiosas e menos tolerantes a estranhos, segundo as pesquisas. Quando ofendidas, manifestam mais lealdade a amigos - e quando ficam sabendo que não se deram bem em um teste de perguntas e respostas, identificam-se mais com os times vencedores do colégio.

Em uma série de novos artigos, Proulx e Steven J. Heine, professor de psicologia na Universidade da Columbia Britânica, argumentam que essas descobertas são variações do mesmo processo: manter o significado, ou a coerência. O cérebro desenvolveu-se para fazer previsões, e isso ocorre ao identificar padrões.

Quando esses padrões se rompem - a exemplo de quando um mochileiro se depara com uma cadeira no interior da floresta, como se tivesse caído do céu - o cérebro procura algo, qualquer coisa que faça sentido. Pode recorrer a um ritual familiar, como checar um equipamento. Porém, segundo os pesquisadores, isso também pode voltar a sua atenção para o meio externo, e notar um padrão de rastros de animais que estava oculto. O desejo de encontrar um padrão coerente torna mais provável que o cérebro descobrirá um.

"Mais pesquisas precisam ser desenvolvidas sobre essa teoria, "disse Michael Inzlicht, professor assistente de psicologia da Universidade de Toronto, porque deve ser o nervosismo, e não uma busca por significado, que leva a um estado de alerta. Ele acrescentou que a nova teoria foi "plausível, e certamente afirma meu próprio sistema de significado; acho que eles estão chegando lá". No artigo mais recente, publicado no mês passado, Proulx e Heine relataram que 20 alunos da faculdade leram um conto sem sentido, baseado no livro "Um Médico Rural", de Franz Kafka. O médico do título teve que fazer uma consulta domiciliar em um garoto com uma terrível dor de dente. Ele faz a viagem e descobre que o garoto não tem dentes. Os cavalos da sua carroça começam a se comportar mal; a família do garoto fica irritada; então, o médio descobre que o garoto tem dentes. E assim por diante. A história é rápida, vívida e sem o sentido- Kafkaesco.

Após a história, os alunos estudaram uma série de 45 sequências de seis a nove letras, como "X, M, X, R, T, V." Depois, fizeram uma prova sobre a sequência das letras, escolhendo, em uma lista de 60 sequências, aquelas que achavam ter visto antes. De fato, as letras estavam relacionadas, sutilmente, com algumas aparecendo mais frequentemente antes ou depois de outras.

O teste é uma medida padrão que os pesquisadores chamam de aprendizagem implícita: conhecimento obtido sem consciência. Os alunos não faziam idéia de quais padrões o cérebro deles estava percebendo ou quão bem eles estavam indo no teste.

Todavia, eles se saíram muito bem. Eles escolheram cerca de 30 % mais sequências e acertaram o dobro das suas escolhas, comparado a um grupo comparativo de 20 estudantes que havia lido um conto diferente, e coerente.

"O fato do grupo que leu o conto sem sentido ter intuído mais sequências de letras sugere que eles estavam mais motivados a procurar os padrões do que os outros alunos", disse Heine. "E, acreditamos que, o fato de terem se saído melhor nos testes significa que eles estão formando novos padrões, os quais que não seriam capazes de formar em outra situação."

Estudos de imagem cerebral para avaliar anormalidades, ou problemas preocupantes, mostram que a atividade em uma área do cérebro, chamada córtex cingulado anterior, aumenta significantemente. Quanto mais ativação é registrada, maior a motivação ou habilidade de buscar e corrigir erros do mundo real, sugere um estudo recente. "A idéia de que somos capazes de aumentar aquela motivação," disse Inzlicht, co-autor, "vale muito a pena investigar."

Os pesquisadores que estão familiarizados com o novo trabalho dizem que é cedo para incorporar trechos de filmes de David Lynch, por exemplo, ou composições de John Cage na grade curricular. Primeiramente, porque ninguém sabe se a exposição a estranheza pode ajudar as pessoas ao aprendizado explícito, como memorizar o francês. Além do mais, estudos descobriram que as pessoas, na busca pelo misterioso, tendem a ver padrões onde não existem - tornando-se mais propensas a teorias de conspiração, por exemplo. Parece que o desejo pela ordem satisfaz a si mesma, sem levar em conta a qualidade da evidencia.

Mesmo assim, a nova pesquisa apóia o que muitos artistas experimentais, viajantes habituais e outros em busca de novidade sempre insistiram: pelo menos algumas vezes, a estranheza leva a um pensamento criativo.